Bispos dão dicas para eleitores votarem com consciência nas eleições 2012

Bispos dão dicas para eleitores votarem com consciência nas eleições 2012 As eleições estão chegando, e os bispos da província eclesiástica de Mariana, deram algumas orientações de como escolher com consciência seu candidato as eleições municipais que ocorrerão em outubro deste ano.

“O exercício da cidadania deve levar o eleitor à consciência de que o sujeito da autoridade política é o povo considerado na sua totalidade como detentor do poder e da soberania”, afirmaram os bispos.

Eles orientam que para escolher um candidato tem que conhecer seu perfil e antecedentes, pois eles que serão os representantes do povo. “O eleito deve estar a serviço do povo e não de si mesmo ou de algum grupo, e também não pode deixar-se dominar pelo poder econômico”.

O bispos pediram aos candidatos que sejam pessoas dotadas de virtudes sociais, como competência, retidão, transparência e espírito de serviço, sendo os primeiros responsáveis pela ordem justa na sociedade. “A superação da corrupção exige pessoas e partidos com perfil íntegro para o exercício do mandado público”, concluíram.

10 dicas para o eleitor votar com consciente e responsabilidade:

1º. Tomar consciência da importância da política e do valor do seu voto. “Voto não tem preço, tem consequências”.

2º. Verificar se o candidato ama o povo ao qual ele deve servir. Em primeiro lugar, deve-se olhar o projeto político do partido e do candidato para verificar se visa realmente o bem do povo. O político que ocupa cargo público deve ser um servidor do povo.

3º. Examinar se o candidato assume verdadeiramente o compromisso social. Só se deve votar num candidato comprometido com o povo e não naquele que apenas faz belos discursos na campanha eleitoral. O eleitor deve votar em candidatos que manifestem atitudes coerentes, demonstradas por seu passado limpo, honesto e comprometido com as causas populares. Suas propostas políticas e sociais devem ser concretas, com possibilidade de serem executadas e voltadas para o bem do povo.

4º. Observar se o candidato respeita seus adversários. O candidato que, em sua campanha eleitoral, só sabe atacar e desrespeitar a imagem dos candidatos de outros partidos, não merece o nosso voto. Política verdadeira não se faz na base do ataque pessoal e sim a partir de propostas e programas concretos. É preciso acabar com a politicagem dos ataques pessoais de quem trata os adversários políticos como se fossem inimigos.

5º. Não considerar nenhum candidato como representante da Igreja. A Igreja não tem partido nem aponta candidato. O compromisso da Igreja é com a vida, a dignidade humana, a justiça, o bem comum e com a ética na política. Entretanto, os cristãos leigos, individualmente ou em grupos, podem assumir, em nome próprio, posição político-partidária e apoiar aqueles candidatos que assumem valores éticos e cristãos.

6º. Não votar em candidatos, cujos projetos atentam contra a família ou contra a vida humana. É indispensável ver a relação do candidato com a defesa da dignidade e a promoção da pessoa humana e da vida, em todas as manifestações, desde a sua concepção até o seu fim natural com a morte. Aqui se deve lembrar, sobretudo, do que diz respeito à legalização do aborto e da eutanásia.

7º. Fiscalizar aqueles que forem eleitos e exigir deles absoluta transparência administrativa. O eleitor deve acompanhar o desempenho daqueles que forem eleitos, pois, o voto é uma espécie de procuração para que o eleito aja em nome daqueles que o elegeram.

8º. Colocar em prática a lei contra a corrupção eleitoral (n. 9.840 de 1999). Eleitor consciente não vende e não troca seu voto. É preciso quebrar o círculo vicioso de candidatos que corrompem eleitores, e eleitores que corrompem candidatos. Quem vende o voto está vendendo a sua própria dignidade. Quem compra voto, compra a consciência do eleitor. Quem compra e quem vende voto está se degradando em sua dignidade.

9º. Levar em conta a Lei da Ficha Limpa já em vigor. Não se trata de uma lei para alterar a atual Lei 9.840/99, mas sim de incluir novos critérios de inelegibilidade, baseados na vida pregressa dos candidatos. Agora, com a Lei da Ficha Limpa, poderemos evitar que candidatos condenados pela justiça concorram às eleições e venham a ocupar cargos públicos.

10º. Não anular seu voto nem votar em branco. Se fizer isto, o eleitor poderá beneficiar um candidato que não merece o seu voto.

As orientações foram assinadas na cidade de Mariana, MG, em 16 de julho de 2012, por dom Geraldo Lyrio Rocha, arcebispo de Mariana, dom Emanuel Messias de Oliveira, bispo de Caratinga, dom Werner Siebenbrock, bispo de Governador Valadares e por dom Odilon Guimarães, bispo de Itabira/Coronel Fabriciano.

Fonte: Portal Ecclesia