Escolas do Rio de Janeiro terão aulas de ensino religioso

Escolas do Rio de Janeiro terão aulas de ensino religiosoApós as férias escolares deste ano os alunos da 1ª à 3ª série de 80 escolas da rede municipal do Rio de Janeiro poderão contar com aulas de ensino religioso, no modelo confessional.

Para cursar as aulas é necessário que os pais — no caso do aluno ser menor que 16 anos — autorizem e optem, no momento da pré-matrícula, por qual credo seu filho deve seguir. A matricula é facultativa e nenhuma outra disciplina sofrerá redução de horário na grade curricular.

As aulas de ensino religioso surgem para ajudar na formação integral do aluno e agregam valores à formação dos estudantes, já que também abrangem a parte emocional, a personalidade e o caráter do indivíduo. Dessa forma, o ensino religioso não equivale a uma aula de catequese, mas tem por finalidade acompanhar o desenvolvimento da criança ou adolescente na compreensão do mistério da transcendência.

A princípio, serão 45 docentes católicos, 35 evangélicos, 10 espíritas e 10 de religiões afro-brasileiras a ministrar a disciplina. O diretor do Departamento Arquidiocesano de Ensino Religioso, Padre Paulo Romão, ressaltou a importância da educação do jovem no que tange à sua identidade:

“Eu acredito que é de suma importância porque uma educação totalizante do jovem, do aluno, tem que levar em conta a sua identidade. Por exemplo, um aluno de família católica tem o direito de, no processo de formação, do conhecimento, retomar e aprofundar a riqueza da sua tradição, e, nesse sentido, o ensino religioso não esta relacionado à catequese, mas sim ao conhecimento, à formação conceitual, intelectual, humana, afetiva do aluno”, disse.

Padre Paulo lembrou também que, diante dos problemas da sociedade, o ensino religioso se destaca como uma possibilidade de recuperação e de uma válida retomada de valores:

“Numa sociedade com tanta violência, tanto egoísmo, tanta corrupção, os valores estão destruídos. O ensino religioso possibilita justamente a recuperação, a retomada de valores que podem nortear a vida desses alunos para o resto de suas histórias. Então, é algo totalmente positivo. É um dever do Estado favorecer o ensino religioso na formação do cidadão, que nunca é neutro: ele faz parte de uma cultura, uma religião”, falou.

O ensino religioso nas escolas municipais é consequência de uma lei, proposta pelo próprio Executivo, aprovada em outubro passado pela Câmara e sancionada pelo prefeito Eduardo Paes.

O texto criou a categoria de professor de ensino religioso, abrindo a possibilidade de concurso para até 600 docentes. Houve a exigência de que esses profissionais tivessem licenciatura plena que os habilite ao magistério nas séries iniciais e finais do Ensino Fundamental e o Credenciamento emitido pela Autoridade Religiosa competente para que pudessem lecionar.

Na rede estadual, o ensino religioso foi instituído em setembro de 2000. Somente neste ano letivo, 377 mil estudantes decidiram ter as aulas, de um total de cerca de um milhão.

Fonte: Canção Nova