Matriz Basílica completa 124 anos em Aparecida

Matriz BasílicaA Matriz Basílica foi inaugurada em 24 de julho de 1888, onde atraiu peregrinos de todos os lugares durante 94 anos (1888 – 1982). Após esse período o atendimento aos romeiros transferiu-se para o Santuário Nacional, conhecido por Basílica Nova.

Basílica Velha (como é conhecida a Matriz pelos devotos de Nossa Senhora Aparecida), é patrimônio tombado pelo Conselho de Defesa do Patrimônio histórico, arqueológico, artístico e turístico. Em fevereiro de 2004, o Santuário Nacional, com o apoio da Família Campanha dos Devotos, deu início aos trabalhos de restauração que continuam até os dias de hoje.

Milhares de fiéis visitam a Matriz Basílica não só pela sua beleza e estrutura barroca, mas também pela devoção a Nossa Senhora Aparecida, que obtém em seu interior, pinturas e obras carregadas de fé e história.

A história da Matriz Basílica

A Imagem de Nossa Senhora Aparecida peregrinou entre 1717 e 1732, nas paragens do Ribeirão do Sá, Ponte Alta e Itaguaçú.

Em 1732, Filipe Pedroso, um dos pescadores presentes no encontro da Imagem, entregou-a a seu filho Atanásio que lhe construiu o primeiro oratório aberto ao público. Naquele oratório aconteceu o milagre das velas que despertou maior expansão na devoção a Nossa Senhora da Conceição sob o novo título de Aparecida.

Com o aumento da devoção, Padre José Alves Vilela, então vigário de Guaratinguetá, teve a feliz ideia de providenciar a aprovação da devoção em Nossa Senhora Aparecida pelas autoridades da Igreja e para a construção do primeiro templo em louvor à Mãe Aparecida.

Após a aprovação, a primeira capela foi construída em 1745 no Morro dos Coqueiros, hoje Praça Nossa Senhora Aparecida, que acolheu multidões durante 143 anos (1745 a 1888). Era de taipa e pilão e, por não comportar o crescente número de devotos que acorriam ao templo precisou passar por uma reestruturação.

Foi construída então, a segunda capela que hoje ainda existe. Trata-se da Matriz Basílica, popularmente chamada Basílica Velha.

Basílica e a sua importância

O reconhecimento da importância religiosa e histórica do templo aconteceu, primeiramente, em 1908, quando a igreja recebeu do Vaticano o título de Basílica de Aparecida.

Em 18 de abril de 1982, foi tombada pelo Condephaat (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico, Arqueológico e Turístico do Estado de São Paulo), como monumento de interesse histórico, religioso e arquitetônico.

Estrutura

A Matriz Basílica teve o altar-mor projetado na Itália e feito em mármore de Carrara em estilo neoclássico, seguindo o desenho do mosteiro Beneditino de São Sebastião, em Salvador, Bahia. Todo o alicerce do templo é feito em pedra e suas paredes e batentes das portas executados em pedras lavradas.

O templo tem sua nave central adornada com pinturas que trazem representações dos milagres de Nossa Senhora Aparecida. Nas paredes laterais, seis nichos abrigam imagens religiosas esculpidas em cedro e trazidas da Bahia no ano de 1878.

Os trabalhos de restauração da Matriz-Basílica de Aparecida, mais conhecida como Basílica Velha estão a todo vapor, procurando devolver à Igreja suas feições originais.

A restauração teve início em fevereiro de 2004, com a recuperação da Capela do Santíssimo, acometida por infiltrações no teto e nas paredes, num trabalho que consumiu oito meses. O presbitério e o altar-mor foram os alvos da etapa seguinte. No local, foram recuperadas todas as janelas de madeira, as peças de mármore higienizadas e limpas.

Na fase de restauro do nicho (ou camarim) do retábulo-mor do presbitério, surpresa aos restauradores: uma pintura que traz uma coroa circundada por dois anjos e ornamentada com uma guirlanda e uma flâmula, que traz a inscrição “Ave Maria”, foi encontrada sob várias camadas de tinta. A obra tem data atribuída a 1904 pelo caráter iconográfico da pintura.

A recuperação da pintura original da Matriz Basílica foi a maior dificuldade encontrada pelos restauradores. Estava encoberta por diversas camadas de tinta aplicadas sem critério ao longo de sua história, em pseudo-restaurações que contribuíram ainda mais para a descaracterização do monumento, como a que substituiu todo o madeiramento original do teto por compensado.
Foram descobertas sete camadas diferentes de tinta até finalmente ser encontrada a pintura interna original.

Na terceira fase das obras, quando a equipe trabalha na fachada frontal, o templo foi coberto por uma tela branca visando proteção do trabalho de consolidação das pedras de quartzito amarelo que, desde 1840, fazem parte da estrutura e da ornamentação do templo, que será pintado em sua cor original: o amarelo claro.

O teto da Na Nave Central, já foi recuperado. O local antes era decorado com pinturas feitas em 1878 pelo alemão Thomas Driendl, obras que se perderam em reformas anteriores.

A madeira na qual estavam as obras encontrava-se em péssimo estado, devido à ação dos cupins e da umidade. Por meio de uma técnica especial, as pinturas foram extraídas das madeiras e colocadas em novas bases.

O trabalho agora consiste na restauração das paredes da Nave Central e dos balaústres, também atacados pelos insetos. As portas receberam tratamento de imunização e, logo em seguida, enxertos da própria madeira. Suas fechaduras, todas em ferro, também foram restauradas.

Mesmo em processo de restauração, a Matriz-Basílica permanece aberta aos visitantes, que podem acompanhar de perto, o trabalho de especialistas.

Segundo a equipe, esse fato tornou-se uma das maiores dificuldades enfrentadas na restauração, pois, com o fluxo de turistas, detalhes já restaurados sofrem deteriorações a cada fim de semana.

A equipe ainda informa que o cronograma de trabalho foi alterado para que fossem efetuadas as adaptações técnicas para as transmissões das missas pela TV Aparecida, atualmente todos os dias às 18h.

Mesmo com o passar dos anos, a Matriz Basílica se mantém como destino obrigatório para os 9,5 milhões de romeiros que passam pela cidade, sendo o templo considerado um dos monumentos religiosos mais conhecidos do Brasil por ter sido um dos primeiros locais a abrigar a imagem de Nossa Senhora Aparecida.

Fonte histórica: Assessoria de Imprensa do Santuário Nacional e A12